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Contabilidade aposta na modernização para seguir valorizada

18/09/2019 por Audicon
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É muito comum que datas comemorativas, como o aniversário e o Natal, sejam momentos de reflexão, usados para se fazer um balanço do ano que passou, das conquistas e dos sonhos e objetivos a serem perseguidos no futuro. O mesmo pode se aplicar à data dedicada a uma categoria. Este pode ser o momento perfeito para avaliar seu negócio, seu grau de qualificação e que mudanças mais têm impactado na área. O Dia do Contador, celebrado em 22 de setembro, é um desses momentos – uma oportunidade para se debruçar sobre a realidade da profissão e para comemorar avanços importantes dos últimos anos.
Quando questionados sobre as conquistas relevantes, uma resposta é unânime e motivo de orgulho para a categoria: a maior valorização profissional. A mudança na imagem do contador de um mero guarda-livros para um gestor financeiro e fiscal indispensável à saúde dos negócios e do fluxo de caixa de pessoas físicas foi muito perseguida. E agora parece ter sido finalmente alcançada.
O vice-presidente de Relações Institucionais do Conselho Regional de Contabilidade do Estado (CRCRS), contador Celso Luft, o Dia do Contador deve ser comemorado por toda a evolução que a profissão conquistou no mercado. “Tanto nas empresas quanto entre a população em geral, o contador se tornou mais valorizado e capacitado para atender às necessidades dos clientes”, diz Luft.
A última década foi marcada por fatos importantes para essa mudança de paradigma. Algumas delas foram impulsionadas pela grande crise econômica global (com início em 2008) e uma consequente responsabilização da classe contábil pela falta de transparência nas demonstrações de empresas à beira do colapso, a adoção no Brasil das normas internacionais de contabilidade (IFRS) e a cobrança por maior transparência no setor público e privado exacerbada após as dificuldades econômicas e políticas vividas no País.
Há três anos, as obrigações acessórias eram apontadas pelas entidades representativas da classe contábil como os principais entraves para a chegada das Ciências Contábeis a um outro patamar. Ao longo de décadas, as principais mudanças no mundo da contabilidade eram associadas às mudanças na legislação. Os processos e cálculos eram ajustados a cada mudança de alíquota ou pela criação de novos tributos, mas a troca de informações com os clientes e os órgãos arrecadadores eram feitas da mesma forma. Isso foi a regra até a explosão da informática e das comunicações. Agora, os escritórios contábeis estão frente ao mesmo desafio de outras indústrias: como se adaptar às novas exigências digitais que chegaram com tanta velocidade.
Muitos ainda veem as novas ferramentas tecnológicas como possíveis vilões. Mas as novas tecnologias vieram, inclusive, para diminuir a dificuldade em manter-se em conformidade com as exigências fiscais e facilitar o cumprimento das exigências do Fisco. Elas liberaram os profissionais para se dedicarem ao tratamento das informações geradas, porém, paralelamente, vêm impondo o desafio de realmente tornar os dados gerados relevantes.
O desafio é realmente não encarar os robôs, softwares, sistemas informatizados como concorrentes, mas como aliados, dizem os especialistas. Este deve ser o pulo do gato e o grande desafio da contabilidade no futuro.
De acordo com a pesquisa da Thomson Reuters e Live University, 61% dos entrevistados preferem profissionais com pouca atuação na área tributária, mas bastante conhecimento em tecnologia e inovação – uma tendência que vem ocorrendo em todas as áreas e segmentos. De acordo com Luft, isso é prova de que o profissional deve se tornar “mais um analista de sistemas e de dados e menos um digitador das informações para o Fisco”.
O presidente do Sindicato das Empresas Contábeis do Rio Grande do Sul (Sescon/RS), Célio Levandovski, complementa que é hora de “atender o cliente e não o governo”. Para o empresário contábil é momento de fazer menos o operacional e mais a gestão, qualificando o serviço oferecido. Na área de finanças, em especial no setor tributário, o uso da Inteligência Artificial vem se tornado cada vez mais fundamental para eliminar os erros manuais, aumentar a produtividade e tornar o negócio mais estratégico. Essa eficiência é decisiva no Brasil, onde são gastas 1.958 horas por ano para atender todas as obrigações fiscais, de acordo com o Banco Mundial.
Pesquisa realizada pela Thomson Reuters em parceria com a Live University, aponta que 56% das empresas brasileiras pretendem utilizar Inteligência Artificial para otimizar a gestão de tributos. Quando o debate é sobre qual tecnologia é mais funcional para o setor, 61% dos profissionais apontam o Machine Learning como a inovação mais capaz de beneficiar o segmento; 31% apostam no Data Science e 10% preferem os chatbots. Essas tecnologias reunidas devem revolucionar diversas áreas. No caso do setor tributário, pode-se ver em curto prazo uma espécie de humanização do trabalho – ironicamente proporcionado pelos robôs – com a eliminação das atividades burocráticas e rotineiras que demandam muito tempo.
Além da tecnologia, o avanço da desburocratização também é um alento aos profissionais contábeis. O presidente da Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon), Sérgio Approbato Machado Júnior, destaca que a entidade tem se dedicado para contribuir com o governo em busca de avanços nessa área de acordo com as necessidades do setor contábil.
“Um passo importante a ser dado, e de forma urgente, é a inovação dos processos excessivamente burocráticos. A ideia é dirimir os entraves e as dificuldades que o excesso de burocracia causa na gestão de uma empresa”, ressalta Machado Júnior. Levandovski também espera que a minimização da burocracia no Brasil contribua para que o novo perfil profissional ganhe espaço.